Novo protocolo para uso de cloroquina na COVID-19

Coronavírus - COVID-19. Foto: Alissa Eckert, MS, Dan Higgins, MAM

O Ministério da Saúde publicou na manhã desta quarta-feira (20), o novo protocolo para o uso de cloroquina e de seu derivado hidroxicloroquina no tratamento para pacientes com sintomas leves de COVID-19 no Brasil.

O documento divulgado pelo Ministério da Saúde, informa que cabe ao médico a decisão de prescrever o medicamento para o paciente que esteja hospitalizado pela doença. Também será necessário que o paciente assine um Termo de Ciência e Consentimento do uso da medicação, onde o paciente reconhece que “não existe garantia de resultados positivos” e que “não há estudos demonstrando benefícios clínicos”.

O paciente que optar pelo uso da medicação deverá estar ciente que a cloroquina pode causar efeitos colaterais, podendo levar à “disfunção grave de órgãos, ao prolongamento da internação, à incapacidade temporária ou permanente, e até ao óbito”.

O Ministério da Saúde ressaltou que os medicamentos mesmo utilizados em diversos protocolos e de possuírem atividade in vitro demonstrada contra o coronavírus, não registram resultados de “ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o beneficio inequívoco dessas medicações para o tratamento da covid-19.”

No entanto, o Ministério utilizou orientações colhidas em estudos e a vasta experiência do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em tratamento de outras doenças infecciosas e crônicas no âmbito do Sistema único de Saúde (SUS). As medicações são indicadas para o tratamento da malária, lúpus e artrite.

A pasta informou ainda, que, a decisão de liberação do uso da cloroquina e seu derivado para pacientes em fase inicial da covid-19 tem o objetivo de uniformizar informações a serem repassadas para os profissionais da saúde do SUS, orientando o uso dos medicamentos no tratamento precoce da doença, uma vez que até o momento não existe outro tratamento eficaz disponível especificamente para a covid-19.

Em março, o Ministério da Saúde incluiu um protocolo sugerindo o uso da cloroquina para pacientes hospitalizados em estado de gravidade média e alta. Na ocasião, foram distribuidas cerca de 3,4 milhões de doses do medicamento para os Estados.

O Presidente Jair Bolsonaro defende o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina a partir da fase inicial da doença ser detectada pelo sistema de saúde. Por não concordarem com os protocolos adotados pelo Presidente como a liberação do uso da cloroquina em casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no âmbito do SUS, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ex-ministros, deixaram a chefia do Ministério da Saúde durante a Pandemia do novo coronavírus. Teich chegou a dizer que o medicamento pode causar efeitos colaterais e que sua aplicação deve ser consentida pelo médico e pelo paciente em tratamento.

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As novas orientações sobre o uso dos medicamentos divulgadas nesta quarta-feira (20) para o tratamento precoce de pacientes que estejam com o novo coronavírus, incluem na fase inicial de sintomas leves e moderadores, a utilização da cloroquina ou o sulfato de hidroxicloroquina associados à azitromicina pelo período de 14 dias. Passado esse tempo, os medicamentos a serem prescritos devem estar de acordo com os sintomas apresentados pelo paciente.

O Ministério da Saúde informou ainda, que, há contra-indicações para o tratamento da hidroxicloroquina para gestantes, retinopatia/maculopatia secundária ao uso do fármaco já diagnosticada, hipersensibilidade ao medicamento e miastenia grave.

O documento prevê também, que para tratamento em crianças, deve-se sempre priorizar o uso da hidroxicloroquina para evitar o risco da toxicidade da cloroquina.

A utilização da cloroquina deve ser evitada, quando associação com clorpromazina, clindamicina, estreptomicina, gentamicina, heparina, indomecina, tiroxina, isoniazina e digitálicos