Ocupação do Colégio Estadual Edmundo Silva

Na tarde de hoje tive a oportunidade de visitar e fotografar o Colégio Estadual Edmundo Silva, ocupado pelos alunos. Compartilho aqui um pouco dessa experiência e das minhas impressões e fotos.

Ao chegar à porta do colégio encontrei um dos alunos explicando as motivações e metas da ocupação para um casal. Informei a outros alunos, que estavam na entrada, a minha intenção de entrar para fotografar. Fui então orientado a esperar que outro aluno responsável viesse avaliar minha solicitação e, talvez, aprovar meu acesso. Nesse momento já fiquei surpreso com a rigorosa burocracia, mas também com a organização e com a percepção de existir uma organização hierárquica.

O aluno chamado para avaliar minha solicitação chegou no portão, entrevistou-me e, após breve reflexão, decidiu por autorizar meu acesso. Foi então designada uma “escolta” de 3 manifestantes que me acompanhariam na visita (nesse momento lembrei de instalações militares do Brasil e Estados Unidos, onde vivenciei esse sistema de entrada e circulação somente acompanhado).

A “escolta” citada foi totalmente cordial e solícita, ajudando, guiando e respondendo eventuais dúvidas. Foi franqueado o acesso a todos os locais, sem nenhuma limitação ou censura.

Ao entrar observei que havia um grande número de alunos no colégio, que não tentei contabilizar. As atividades destes variavam, com alguns alunos conversando, outros em alguma recreação e outros trabalhando (cozinhando, limpando, etc). A visão geral era muito positiva, sem nenhuma cena de vandalismo ou de qualquer outro ato prejudicial ao patrimônio público.

Fui então conduzido para ver alguns dos problemas estruturais da unidade, indicados por quem me escoltava. No caminho para as salas de aula (primeiros locais que escolheram mostrar) passamos por espaço que terminava de ser lavado. Em seguida chegamos ao corredor principal, impecavelmente limpo, que dava acesso às salas de aula, incluindo as salas transformadas em alojamentos (masculino e feminino em separado).

Nas salas de aula apresentaram alguns problemas de manutenção, como tomadas que tiveram curto-circuito, buracos no chão, quadro branco danificado e ventilador de teto com instalação elétrica precária. E também aberturas feitas nas paredes para saída da água da última enchente, que consideram um risco de acesso de vetores oriundos do matagal existente no lado de fora das salas de aula.

A seguir visitamos a cozinha, onde um grupo de alunos preparava um lanche e cozinhava, utilizando toca (que também precisei usar para entrar na cozinha).

Continuando a visita registramos a situação de diversos históricos escolares, vitimados por episódio de chuva e hoje secando pendurados sobre computadores (CPUs) e monitores.

Preocupante ver documentos tão importantes neste estado, mas também curioso terem escolhido colocar estes documentos sobre equipamentos de informática, também sensíveis à água e umidade, para secar.

A sala com os históricos e os computadores encontrava-se trancada, tendo sido fotografada pela janela, gradeada.

Seguimos então para ver o estado do vestiário, que apresentava instalações elétricas inacabadas, portas e pisos danificados e forro do teto incompleto.

Seguindo para o próximo local, a irregularidade do solo chamou minha atenção, embora não tenha sido apresentado como um problema por nenhum dos alunos.

Chegamos então a um local que não souberam informar o que seria, mas poderia ter sido um depósito de audio-visual ou algo similar já que tinha algumas fitas VHS-C, com aparência de terem estado em água de enchente.

Por fim, junto à saída, apresentaram a sala da foto abaixo, em mau estado, com bancada de madeira, que teria sido uma sala de informática comunitária. Caso algum dia tenha sido, hoje não tem nada que lembre tal finalidade.

Antes de sair encontrei fixado na parede uma programação de tarefas e uma relação das reivindicações, que não relacionava os problemas estruturais que haviam me apresentado na visita.

Deixei o colégio com uma visão positiva da manifestação, pacífica e ordeira, embora tenha ficado uma impressão de que falta um consenso em relação às reivindicações ou uma melhor divulgação destas, internamente inclusive.

Encerro parabenizando os jovens que, mesmo sem aulas, estão aprendendo conhecimentos úteis e importantes, como trabalho em equipe, organização, logística, gerência e outras habilidades, talvez até mesmo sem perceber. E estão também ensinando que reivindicações podem ser feitas, sem violência ou vandalismo.