Pesquisa da Universidade de Oxford identifica medicamento que pode reduzir mortes nos casos graves de COVID-19

Coronavírus - COVID-19. Foto: Alissa Eckert, MS, Dan Higgins, MAM

Pesquisadores britânicos acreditam que a dexametasona “reduz o risco de morte em pacientes com complicações respiratórias graves” e poderá se tornar padrão para o tratamento de pacientes que necessitam de oxigênio suplementar, entubação e ventilação mecânica.

Em um estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford, 2104 pacientes receberam 6mg do medicamento diariamente, por 10 dias. Estes pacientes foram comparados com 4321 pacientes que seguiram tratamento habitual para a COVID-19, sem administração do medicamento estudado.

O comparativo registrou percentual de mortes mais elevado entre pacimentes que necessitaram de ventilação mecânica e não receberam o medicamento estudado, quando comparadados aos medicados com a droga estudada.

Já entre pacientes que não necessitaram de ventilação mecânica, as mortes tiveram menor percentual entre os pacientes que não receberam o medicamento.

O estudo concluiu que a dexametasona reduziu em 1/3 as mortes entre pacientes que necessitaram de entubação e ventilação mecânica. Entre os pacientes que necessitaram de oxigênio suplementar, mas não de ventilação mecânica, o percentual de mortes foi reduzido em 1/5.

O medicamento não apresentou benefício (redução de percentual de mortes) entre pacientes menos graves, que não necessitaram de oxigênio suplementar ou ventilação mecânica.

Os dados prelimináres foram divulgados pela universidade, mas o estudo completo ainda não foi publicado.

Segundo Peter Horby, professor de doenças infecciosas emergentes do Departamento de Medicina de Nuffield, Universidade de Oxford, o ‘benefício de sobrevivência é claro e grande nos pacientes que estão doentes o suficiente para necessitar de tratamento com oxigênio; portanto, a dexametasona deve agora se tornar padrão de atendimento nesses pacientes”.

As informações divulgadas deixam claro que o uso da medicação deve seguir avaliação e prescrição médica, não sendo indicada para tratamentos mais leves da doença, já que somente demonstra benefícios para pacientes graves o suficiente para necessitar de tratamento com oxigênio e apresenta efeitos colaterais conhecidos.